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Frustração e Limites: Uma criança que não se frustra será um adulto inseguro

Frustração e Limites: Uma criança que não se frustra será um adulto inseguro

Frustração é o sentimento de uma pessoa ao não conseguir o esperado. Pode ser em qualquer fase da vida, mas aprendemos a lidar com esse sentimento na fase de maior aprendizado da nossa vida, na infância.

As relações humanas são pautadas por regras e normas para uma boa convivência. O limite serve como organizador psíquico e corporal da criança.


Em algum momento da vida você vai se deparar com algum tipo de frustração, por isso é importante poder experimentar e vivenciar essas situações desde a mais tenra idade. Os pais e mães devem entender que seus filhos e filhas precisam se frustrar e devem estar preparados para isso. Muitas famílias entram numa dinâmica de presentear, de satisfazer o desejo dos filhos de uma maneira a impedir que eles vivam a frustração por diversos motivos. Às vezes por querer poupar-se de escândalos e manhas para sustentar o “não”, afinal isso dá trabalho; às vezes por sentirem a dor da dor dos filhos ao se frustrarem e a pressa hoje em dia é um fator que pode também impedir a frustração. Isso faz com que a criança se aproprie dessa falta de limite gerando assim um círculo vicioso, um hábito.

A criança que não se frustra será um adulto inseguro

A criança que tem todos os seus desejos atendidos em casa, sem restrição, não saberá o que fazer ao sair de casa. O mundo não vai ser como a criança pensa que ele é, tudo na mão, tudo na hora, tudo fácil. Para a compreensão de vocês pais e mães, a criança não tem a condição de aprender nada se ela não experimentar, como ela poderá saber lidar com a  frustração fora do ambiente familiar se ela não vivencia dentro de casa com as relações primárias? 

Outros fatores que podem dificultar a segurança dos pais e mães em dar limites e firmar sua posição levando seus filhos a dificuldades com a frustração é também não terem sido frustrados na infância.

Algumas situações que observei esses dias durante as práticas:

Antes de brincar sentamos em roda para contarmos as novidades e o João chegou com vontade de sentar ao lado do amigo Pedro que já estava sentado ao lado do Rafael, mas o outro lado estava vago. O Victor chegou e sentou antes do João ao lado do Pedro. A reação do João foi se afastar e sentar num canto da sala de costas para o grupo, sem chorar nem fazer escândalo, mas ficou emburrado e não havia quem o tirasse daquele lugar.

Outra situação com reação diferente foi quando o Rafael queria o mesmo material que o Victor, porém o Victor estava com a bola antes e estava brincando. O Rafael tentou tirar a bola do Victor e ao resistir e não querer dar a bola, Rafael bateu no amigo, ficou nervoso e tomou a bola a força. São reações diferentes que devem ser ensinadas para que aprendam a lidar com esse sentimento tão importante para todos nós.

Consequências na escola e na vida:

  • Dificuldade em entender e aceitar a autoridade do adulto. Se recusam a atender comandos;

  • Não conseguem fazer parte do grupo como um todo;

  • Dificuldade em compreender a importância do outro para seu desenvolvimento;

  • Insegurança diante de desafios;

  • Autoestima baixa; Muitas vezes verbalizam “não consigo”;

  • Egocentrismo e fragilidade;

  • Se isolam e choram com facilidade;

  • Preferem brincar sozinhos.

 

O que a criança aprende ao se frustrar:

  • Permite a autonomia da criança;

  • Aprende que existe uma autoridade para ela respeitar; 

  • Aprende a esperar - hoje em dia isso é quase um luxo;

  • Aprende a dar valor para coisas simples;

  • Aprende que ela não pode tudo o tempo todo;

  • Desenvolve a capacidade de negociar.

 

Então pais e mães, invistam nisso, seus filhos irão agradecer futuramente por mostrarem as possibilidades de aprender com a frustração.

 

Beatriz Cornelsen Boscardin

Psicomotricista Relacional

Criançário
Beatriz Cornelsen
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Beatriz Cornelsen Boscardin é formada em Educação Física pela UFPR, Especialista em Psicomotricidade Relacional. É diplomada como supervisora em Psicomotricidade Relacional.

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