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A criança não pode esperar?

A criança não pode esperar?

Estou em São Paulo para fazer uma palestra aqui sobre a psicomotricidade relacional. Passeando, resolvi ir almoçar em um dos vários shoppings da cidade, e passando num fast food vi uma bancada com alguns tablets disponíveis na loja. Resolvi perguntar para a moça que estava no caixa o que eram os tablets, pois não quis acreditar. Surpresa ela me disse toda orgulhosa que eram para as crianças jogarem enquanto os pais compravam os lanches, pois em alguns momentos as filas são bem grandes. Fiquei por alguns instantes parada, sem querer acreditar que um adulto pensou em disponibilizar tablets para as crianças usarem enquanto seus pais esperam na fila. Como assim? As crianças não podem esperar? Qual a necessidade de entreter uma criança com tablet durante um passeio com os pais no shopping? Mais tablet? Depois desses segundos, me limitei a dizer bem séria, isso não é bom.

A moça ficou bem sem jeito e disse: “É, mais tablet né?” e saiu.

Fiquei muito incomodada com o fato e resolvi escrever. Nos dias de hoje, uma criança nasce familiarizada com os aparelhos eletrônicos, uma criança aprende a entrar no youtube para ver programas ou músicas infantis antes mesmo de aprender a falar. Os prejuízos são grandes. Pesquisas como universidades de Standfort e Unicamp comprovam isso.

A criança perde uma oportunidade enorme de viver coisas importantes quando ela espera, não por esperar, mas por ela descobrir oportunidades de fazer alguma coisa nesse tempo. Ela vai ter que prestar atenção ao ambiente a sua volta, ela pode estabelecer alguma relação com outra criança que está esperando e até brincar com ela, ela pode brincar com seus pais enquanto espera, brincar parado mesmo, cantar, contar o tempo, se divertir, sim criança se diverte com muito pouco e com coisas simples, contanto que seja por inteiro.

Não podemos evitar a devastadora invasão dos aparelhos tecnológicos, mas ganhem tempo com seus filhos evitando ao máximo a exposição deles a esses aparelhos. E como sugestão à loja de fast food, que tal brinquedos que construam, façam pensar e criem interação entre as crianças?

 

https://news.stanford.edu/news/2012/january/tweenage-girls-multitasking-012512.html

Criançário
Beatriz Cornelsen
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Beatriz Cornelsen Boscardin é formada em Educação Física pela UFPR, Especialista em Psicomotricidade Relacional. É diplomada como supervisora em Psicomotricidade Relacional.

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